Sob a Roseira – Editora Young

TRECHO: Mesmo assim eu não parei, continuei enfiando a lâmina em seu tórax. Ele lutou, socou e empurrou-me, tentando a todo custo imobilizar-me, porém seus reflexos estavam prejudicados pelo álcool, tornando meus movimentos mais eficientes do que sua força. Levantei rápido, após cairmos, e fiquei de joelhos ao seu lado, com a faca ainda apontando para seu pescoço. Nós dois estávamos com a respiração pesada, sujos de sangue e machucados, porém como sua última demonstração de desprezo, ele cuspiu na minha cara. O cheiro de álcool exalava fortemente de seu corpo e, agora, misturado ao sangue, impregnava-se em tudo o que tocava. Eu não era mais sua filha, jamais teria o seu perdão, mas a intenção de obtê-la não estava nos meus planos, queria somente que ele nos deixasse em paz. Sendo assim, simplesmente dei de ombros, perguntei, retoricamente, “Então é isso?” e enfiei a faca em seu coração. Prática e rápida, sem muito diálogo ou tentativas inúteis de conversão moral. A princípio eu não tinha a intenção de matá-lo, ainda mais daquele jeito, porém, naquele instante, era agora ou nunca. Ele não iria deixar barato uma agressão como aquela, nós pagaríamos caro por isso, então eu tive que seguir em frente para nos proteger. Como diz um velho ditado ‘’Dê um passo atrás para poder dar dois para frente’’, eu pensei, contudo mal sabíamos que esse crime seria a inauguração de um caminho sem voltas. Depois dos sinais vitais pararem, eu pude respirar com calma, relaxar meus músculos e tocar meu olho recém-socado. Meu corpo estava todo dolorido e só agora sentia os reflexos daquela briga, mas, finalmente, agora tudo estava acabado. Nenhuma pessoa nos humilharia de novo na nossa própria casa, não teriam mais agressões físicas e verbais, e nem precisaríamos tomar cuidado com o que falássemos. – Te vejo no inferno, papai. – disse eu, sarcasticamente, puxando a lâmina de seu peito.

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