Conto – Roma

 Há duas semanas, minha irmã perguntou como seria o meu momento de ápice de felicidade e satisfação pessoal. Pensei por um instante e embora ela pudesse pensar em sucesso literário, respondi: – No meu sonho, eu estou tomando vinho na sacada de um pequeno apartamento em Roma, enquanto o sol se põe. Depois, caminho pelas pequenas ruas até uma pequena cafeteria e compro aqueles doces com açúcar em cima. Sem pressa, sem agito e sem pressão. Somente a tranquilidade e a brisa dos ares italianos.

 Mas, além do fato de que esse sonho está a nove mil oitocentos e setenta e sete quilômetros, provavelmente, quando eu estivesse nessa sacada, o céu estaria nublado ou não haveria uma cafeteria por perto. O que eu quero dizer é que, hoje, é quase impossível estar em um lugar com tanta tranquilidade. Independente disso, continuarei sonhando acordada com Roma e não importa quantas vezes for visitá-la, aquela cidade sempre terá um lugar especial dentro de mim. França, Alemanha e Suíça são lugares com diversas belezas, mas nem mesmo o Brasil, minha terra natal, conseguiu marcar-me tão profundamente como a Itália. Parafraseando Shakespeare, Roma se não se chamasse Roma, teria igual beleza.

 Às vezes, eu sinto que sou uma das poucas pessoas a ver essa beleza por trás dos grandes monumentos e estátuas. Não são as pedras de Roma que a fazem tão especial e sim, os romanos. A atmosfera dessa cidade a torna viva, forte e cheia de história. Em cada esquina temos um perfeito contraste entre moderno e antigo. Em cada pessoa temos um perfeito equilíbrio entre agito e organização. Em cada gesto vê-se a capacidade de se comunicar usando as mãos. E se pararmos alguns minutos para admirarmos as pessoas caminhando ao lado de monumentos como o Coliseu, é possível imaginarmos gladiadores e cavalos puxando quadrigas sob o sol.

 Roma brilha sob a luz do sol. Mas, também cintila sob a luz da lua. Especialmente em noites de lua cheia, quando a cidade ganha ares românticos, ao estilo do filme La Dolce Vita. Talvez minha paixão por Roma tenha vindo da obra de Fellini, de minha viagem há alguns anos ou de outro filme com o qual não me recordo mais. Independente da origem, o resultado é um amor enorme por essa cidade encantadora. E uma completa, absoluta e sincera admiração por toda a história e trajetória que fizeram Roma ser o que é hoje.

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